sexta-feira, 16 de setembro de 2011

TEXTO DE CLARICE LISPECTOR

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vidae que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...
Clarice Lispector

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

lembranças

 Estava eu  alegre, risonha  e modernamente enturmada ,  conversando descomprometidamento com   amigos, relembrando   peripécias protagonizadas    há tempos .Mas eis que   junto com as lembranças vieram as saudades de um tempo muito bom(não se preocupem  não vivo no e do passado), um tempo   em que a distancia  era minizada  somente escrevendo longas cartas   regadas a risos e choros onde se escrevia as  dores dos amores e a felicidades das pequenas vitorias,  um tempo em   que tínhamos tempo  para  chá com pão de minuto , um tempo que rir  e chorar não era visto necessariamente como depressão  e o mais importante saudades de um tempo  que eu podia abraçar muito   a Giane, o Mauro , o Pipo,  o Arnaldo ,etcetcetc e tantos outros  ,calma não quero reviver o passado, de jeito nenhum , mas to com saudade  de abraçar os amigos   sem  significar que to carente . Vivemos um tempo de tantos rótulos, que ate    a sensação deliciosa da saudade corre  o risco .  To  deliciosamente com saudades regada a risos , choros  mas principalmente a abraços.

domingo, 21 de agosto de 2011

E agora ?

 Pois é  meus amigos sabem como sou avessa  a escrever , para alguns será uma surpresa eu ter  criado um blog principalmente por estar  me desnudando aqui. Vou explicar . Não sei se alguém lera os meus posts mas sei que eu preciso escrever-los  . Estes tem sido tempos difíceis  , me olhei e vi no espelho que havia passado 40 anos,   enfrentei uma cirurgia  que me deixou muito vulnerável não só fisicamente mas   emocionalmente  e espiritualmente , revi tantos conceitos e posturas,( engraçado até parecendo texto de auto ajuda , alias pode ser que seja um texto de auto ajuda sei lá) , alem de ter que  enfrentar  uma auto sabotagem pesada  tudo isso regado a lágrimas e mais lágrimas. tenho tentado me entender  e aceitar  que a felicidade não precisa sempre ser clandestina.